Foi Wernicke que pela primeira vez falou em pseudodemência, referindo-se na altura a estados histéricos crónicos (Bleuler, 1934).
A pseudodemência é uma síndrome e não um diagnóstico, pois tem um quadro clínico que se assemelha a uma demência mas é provocada por um traumatismo psíquico funcional e não por uma causa neurológica. É reversível e pode ser provocada por:
Neuroses pós-traumáticas; Esquizofrenia; Mania, etc. Sendo a sua causa mais frequente a depressão.
Alguns autores como (Nussboum) defendem o desaparecimento do conceito para dar lugar a identidades mais específicas.
No entanto a questão é pertinente, e o conceito de pseudodemência continuará enquanto, só 15% dos pacientes com depressão foram identificados numa residência de idosos (Fernández Son Martín, 1994), (A depressão é a grande causadora da pseudodemência). Outros estudos relatam o diagnóstico errado de Demência que posteriormente se revela pseudodemência (Ex. Diagnóstico e tratamento de uma pseudodemência depressiva num paciente idoso; Rodriguez del Álamo, A y Col) (www.geriatrianet.com), Vol 5, nº 2, ano 2003).
Como alguns quadros de pseudodemência não têm uma discrição específica (Pitt e Yousef, 1997) estes autores criaram uma escala para uma melhor identificação da pseudodemência depressiva.
Dos casos descritos temos predominantemente:
Uma idade avançada 75 anos em diante e antecedentes psiquiátricos em 60%.
Transtorno da memória e desorientação.
Sinais neurológicos (especialmente extrapiramidais) em 30%.
Delírios em 40%.
Confusão em 32%.
A recuperação depois de iniciada a terapia é de 2 meses, durando mais com o aumentar da idade.
Pacientes bipolares apresentam piores prognósticos que os unipolares, particularmente os mais idosos.
Regra geral a melhoria cognitiva acompanha a melhoria do transtorno afectivo, excepto alguns pacientes ansiosos.
Miller (1975), fez a primeira grande revisão sobre os casos apresentados e separou-os em quatro áreas de possível disfunção:
| Pseudodemência |
Demência |
| Humor deprimido |
Afectividade lábil ou vazia |
| Rápida progressão dos sintomas |
Lenta progressão dos sintomas |
| Início do transtorno bastante preciso |
Começo muito impreciso |
| Frequentes respostas de (não, sim) |
Frequentes respostas erradas |
| Rendimentos variáveis em provas |
Mau rendimento em todas as provas |
| Frequentes episódios psiquiátricos |
Geralmente sem antecedentes psiquiátricos |