
A estrada bem como a maior parte do espaço físico que um ser humano ocupa é algo que tem de ser partilhado.
É um espaço onde encontramos uma das maiores variedades de intervenção e utilização.
Verificamos isso na quantidade de veículos diferenciados que nela circulam.
Na heterogeneidade de personalidades, motivação e experiência de condução dos condutores.
Na diferença de idades e faculdades físicas dos peões.
Na diferença de sinalização, sua aplicação e funcionalidade pretendida mas nem sempre conseguida.
Diferenças de piso logo de atrito, largura, inclinação e outros factores inerentes à via.
Diferenças ambientais, climatéricas muitas vezes bruscas.
Interferências sobre a recolha de informação que vão impedir que esta chegue de forma simples e conclusiva cumprindo com a sua função no acto de conduzir, bem como a percepção individual de cada um sobre essa informação.
Estes e outros factores são demasiado importantes para que os possamos esquecer constantemente ou pior, desvaloriza-los ou simplesmente ignorá-los.
Mas se isto já pode ser uma mistura explosiva, podemos piorar em muito pelo simples facto de não nos aperceber-mos que estas dificuldades são partilhadas por todos, embora cada um as sinta de forma diferente, reagindo assim também de forma diferente.
Fazer do acto de conduzir e de toda a sua insolvência um acto solitário, tanto no prazer como na insatisfação é o início do problema que só nos trás a satisfação de sermos vitimas eternas, afastando assim de nós a culpa que sentimos pela nossa incapacidade de reconhecer que estamos mal, e este mal advêm de não conseguirmos iniciar a mudança em nós!
Se o acto de conduzir solitário é o princípio do problema, este não terá fim enquanto continuar-mos a vestir pele de lobo na estrada e de cordeiro na crítica ao outro.
Que tal fazermos parte da solução deste problema? Combatendo as causas que também existem em nós!